Lavínia com camisola de seda, estava imóvel deitada na cama em seu luxuoso quarto de tapete vermelho.
Ernani em pé com o olhar de ódio e amor eterno, falava sem parar e irritado pedia respostas.
Ela não movia os lábios só lhe olhava com súplica.
- Como pode tanta beleza em um único ser, a beleza insite em não lhe deixar nem com o tempo. Como ainda suporta estar ao meu lado?
Lavínia continuava imóvel e apenas acompanhava com o olhar, a aflição de Ernani que andava no quarto de um lado para o outro.
- Eu vi Lavínia, eu sempre soube, nas primeiras vezes doeu...mas depois acostumei. Desespero eu sentia ao imaginar você longe, preferia te ver em outros braços e me confortava ao saber que voltaria aos meus.
Em algum momento me amou?
Lavínia continuava sem pronunciar uma palavra, apenas olhava.
- De alguma forma tirei meu proveito, era muito bom me vingar com suas amigas, suas primas e por último sua irmã...se não fosse por você, não teria me deitado com tantas mulheres. Você sabia de tudo não?... dissimulada e cínica era capaz de perguntar a elas os detalhes, se sentia menos pior com isso?
Lavínia tinha a respiração cada vez mais ofegante.
- Sinto tanto ódio por tudo, tanta raiva de você, planejei tudo isso... e estranhamente ainda te amo.
- Tô com muita sede... preciso de água. - Suplicou Lavínia.
Ernani se limitou a olhar friamente o desespero de sua amada, sem nenhuma comoção, apenas olhou e gargalhou, deliciava com a sensação de exercer o comando que sempre almejava e agora conseguiu sobre aquela vida.
Lavínia suspirou profundamente e com a língua tentava molhar os lábios numa tentativa inútil de matar sua sede, até que sentiu o gosto salgado de suas duas únicas lágrimas... e com o olhar fixo em Ernani, antes de fechá-los, susurrou:
- Eu sempre te amei.
A noite fria, cinza e turva, gradativamente se tornava vermelha, pelo sangue que tingia o felpudo tapete e todo o quarto, e pelas luzes da sirene que acabara de chegar.
Sofrer por amor? Não seria algo clichê? Porque o humano ainda insiste em praticar esse sadomasoquismo? Vivemos em um mundo hedonista que esbanja sensualidade e erotismo, copular se tornou algo necessário à carne e não ao sentimento, no mundo frio e amargo que respiramos o nosso único objetivo e a solução de um fetiche material ... Porque não se massificar? Porque não viver no amor a última vista? Ah! Esse gozo de palavras que nos faz voltar ao primórdios da evolução das espécies, nosso pensamento era desinteressado e os pulsos da emoção que nos dominava. Escolha! Escolha! Vive nos grilhões dessa angústia ... Sua vida depende disso ... Mas uma coisa eu posso te dizer: " A morte bate na nossa porta", você conseguirá voltar atrás e refazer suas escolhas? Já pediu autorização àquele que é o mais sombrio? O seu próprio ego.
ResponderExcluirUauuuuuuu
ResponderExcluirSerá que não é o simples e fatal fato de ser humano?
Estamos historicamente condicionados ao apego em determinado "porto seguro" para suprir a necessidade do social, que convenhamos não podemos deixar de levar em consideração. E a minha geração tão evoluida se apega ao tal "amor" e existe quem acredita que se mata por isso também.
Mas ha uma luz no fim do túnel... Marcelo...existem aqueles que negam esse "amor" e propoe uma reflexão sobre o que de fato devemos chamar isso.
Enfim...
Copular sempre teve algo relacionado a qualquer outra coisa, menos sentimento...essa história de sexo e amor é algo recente na humanidade.
Esse tal sofrimento que é o x da questão, porque todos que negam o amor com o argumento de que é um sentimento medíocre e dos primórdios, vai necessariamente escolher outro tema para justificar o sofrer...
Sofrer é bom, estimulante, até prazeroso...por isso as pessoas adoram sofrer, e agora mais do que nunca ta na moda sofer por amor.
Mas tem uma tendência da nova geração ai...que acha ridículo as relações estabelecidas no "amor" atual, negam perpetuar isso, e entendem todo o mecanismo que existe, mas eles também adoram sofrer. As atitudes imbecis não vão acabar, apenas serão direcionadas para outra temática.